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* Num dia nublado...



Hoje passo a contar algo pelo menos inusitado, mas real e bem verdadeiro...


Como muitos devem ter lido, sou uma privilegiada: tive dois pais.


Um que me criou e outro que só me colocou no mundo e a quem não conheci...


Fiquei sabendo de sua existência quando já estava com 39 anos.(quem não lembra da história, pode ver o texto "TUDO VALE A PENA") http://recantodasletras.uol.com.br/contoscotidianos/1037446


Feita essa explicação, passo ao relato:


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Num cemitério antigo, Bahia, Eunápolis, está enterrado aquele pai que nunca conheci...


Franco e eu, passando férias em Porto Seguro, lugar que adoramos!


Um dia meio nubladinho, ameaçando chuva, "roncou nas minhas tripas", de ir até lá, conhecer onde ele estava...


Ficar pelo menos um pouco perto de um local onde ele tivesse passado!


Franco estranhou um pouco, mas topou, como sempre,de cara!


Lá fomos nós de "buzum", aqueles ônibus bem fuleirinhos mesmo...


Não lembro bem o tempo que levou, mas não foi pouco.


Porém, a praia estava perdida mesmo e nós, estávamos passeando então tudo seria novidade e uma forma de aproveitar o dia.


Bem, não tínhamos nem idéia de onde poderia ser o tal cemitério.


Chegando à rodoviária, pegamos logo um táxi para que nos levasse, finalmente ao local.


Eu estava emocionada e por dentro, sentia uma coisa estranha.


Diga-se de passagem, que como sempre ando em férias, estava bagunçada, de bermudas, chinelos e o Franco idem com batatas...


Após andar um tempão chegamos à frente do portão.


Parecia um cemitério de filmes de terror!


Todo velho, tipo caíndo aos pedaços.


Entramos então e o motorista ficou nos aguardando, tremendamente desconfiado da situação.


Por lá percorremos todos ou restos de túmulos, os túmulos mesmo e os escombros, procurando pelo nome dele.


Passávamos por cima, era um verdadeiro "cross" sobre os túmulos, sem contar que estávamos arriscando a ficar ali dentro de uma daquelas covas que se desmoronavam.


Mas eu não desistia e fomos ao administrador (imaginem a figura) do local, que disse não saber da localização.


Passados mais uns bons tempinhos por ali, naquele local um tanto quanto estranho, percebemos que estávamos todos embarrados, pois havia chovido...


Resolvi então, deixar assim mesmo! Desistimos!


Parei num local quietinha e fiz uma oração para ele que certamente teve um dia, por um pouco de tempo, por ali seu corpo repousando...


Fiz a oração e me senti leve!Valeu tudo aquilo!


Agora, só faltava voltar ao táxi, cujo motorista nos olhava como se tivesse visto os próprios fantasmas, só que estes, desta vez, deixaram seu carro embarrado e molhado...


O motorista ficou ainda mais estupefato quando ao nos levar de volta dissemos que iríamos logo pra rodoviária, sem mais passeios.


No mínimo estranha para ele a situação de ver dois estranhos turistas, mal arrumados, escavalgando sobre túmulos e após, ir diretamente embora... Se vissem a cara dele!


Coitado! Estava assustado!


Mas valeu tudo aquilo e até hoje sou grata ao Franco por ter me feito companhia naquela empreitada um tanto quanto estranha e escabrosa para umas férias e descanso num local tão lindo!


Mas foi muito bom, pela primeira vez, pisei o mesmo solo que ele...


Mas reconheço, só mesmo o Franco pra me aguentar!


Depois disso, até o Sol apareceu novamente! (Chica)

2 comentários:

  1. Uau.. q lindo!
    Confesso que tbm tive (e tenho) vários pais. O biológico e um outro exército que divide as funções paternas (meu avô, meus dois tios - um deles é meu padrinho, e meu padrasto)..
    fico feliz por isso!
    grande beijo, tenha uma linda semana! adorei o texto!

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  2. Querida Chica...maravilhosa narrativa e lindo procedimento teu, com certeza lá onde estiver teu ài biológico recebeu e percebeu teu gesto...e tenha certeza, é um grande avanço evolutivo para os dois...ou melhor para os três, teu marido que te acompanhou de bom coração também recebe essas luzinhas! Beijos no teu coração Chica!

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✿ Que isso possa ter deixado uma marquinha,ainda que seja bem pequenina , no seu dia, alegrando-o! ✿