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* Quando a morte é escolhida...


Numa casa sombria, escura, vivia sozinha, porque assim desejava, um idosa de 84 anos.
Ela carregava dentro dela, segredos de um passado que a atormentava...

Não bastasse haver confessado que uma das filhas não era filha do pai imaginado, ainda assim, deveria haver ali, um novo segredo...
A cada dia se tornava mais sombria e a convivência com os filhos, era cada vez mais difícil.
Nem parecia uma mãe...
Parecia um ser qualquer, menos mãe...Das mães, são esperados carinho e amor e nunca tanto ódio, rancores e com todas as filhas.
Ela nunca aproveitara os filhos, muito menos, os netos.
Uns não podiam chegar perto dela, pois segundo ela, cheiravam a pintos, já que suados, das brincadeiras.
Outros, eram agitados demais, se mexiam muito...Enfim, um saco ...
Os netos que nunca tiveram amor de vó ,mesmo assim, a procuravam, de tanto serem quase forçados pelas suas mães, filhas daquela senhora, a dar telefonemas ou visitá-la. Porém, agora, não mais conseguiam. Quando viam suas mães serem incomodadas e torturadas, não mais a procuravam...
Uma das filhas estava sempre na "telinha"...Era dominada pelo poder do $$$...
As outras, iam se alternando com as confusões, mas indubitavelmente, uma estava na mira...confusões arrumadadas com uma ou outra ou tinha algo a reclamar ou a falar mal dos netos...
Assim, o tempo passava e as coisas cada vez mais escuras, fruto de sua plantação:quem nunca plantou amor, não poderia esperar colher coisas lindas...
A escuridão a esperava e rondava...
Era áspera, amarga...
As filhas estavam de mãos atadas, pois ela nada aceitava. Uma vez tentara suicídio, porém mesmo após um mês de UTI e de ganhar a vida de volta, nem assim aprendeu...
Assim, foi afastando uma a uma e acabou só...
Restara de vida naquela casa e nela apenas a sua respiração...
Apenas isso, a mantinha viva...O resto, ela mesma matara...
E essa é a mais triste das mortes e foi a escolhida por ela...

5 comentários:

  1. Um grande desabafo, triste, melancolico, magoado, que pena, estamos aqui apenas de passagem e deveriamos fazer dessa nossa rapida estada por aqui , um circulo de amor, convivencia e consideraçao, mas ....Heloisa.

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  2. Chica,
    Sempre podemos escolher entre viver a vida ou morrê-la , aos poucos ou aos trambolhões. E a cada novo-velho esbarro, escolher a vítima para cair , fundo, com essa que optou por asfixiar-se em seu próprio ar, talvez (!!!), já contaminado por tantas sombras feias semeadas ao longo de seu caminho. Opção que não podemos mudar. Conforme ela, é seu direito escolher seu caminho e as sementes de seu canteiro de urzes, no qual cinco rosas e tantas rosinhas sempre se empenharam em abrir caminho, entre cardos e aridez, para , com suas escolhas pela vida perfumada pelo amor, brotar de novo e de novo para, quem sabe, iluminar aquele canteiro sombrio e tão cheio de relâmpagos.
    Só que experimentou tortura, sabe seu significado.
    Um beijo carinhoso,
    Mausi

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  3. Chica,uma história muito comovente!Infelizmente existem pessoas assim,amargas,que vivem sem doar-se e realmente nada plantam além de desafetos!Parabéns pelo texto tão bem escrito!Bjs,

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  4. Doce amiga Chica, seus blogs estão fantásticos.
    Parabéns pelos belos textos e imagens, adorei querida
    Bjsss

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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✿ Que isso possa ter deixado uma marquinha,ainda que seja bem pequenina , no seu dia, alegrando-o! ✿